Senador diz que mídia invade sua privacidade e devassa sua família. "Não tenho cometido nenhum ato que desabone minha vida", afirma
Sarney: "Permaneço pelo Senado, para que ele saiba que me fez presidente para cumprir o meu mandato"Resistir e cumprir o mandato de presidente do Senado até o fim – essa foi a disposição manifestada ontem pelo senador José Sarney em pronunciamento da tribuna do Senado.
Ele lembrou a herança histórica de seu governo (1985-1989) e de seus mandatos parlamentares para o Brasil e respondeu a denúncias que têm sido publicadas contra ele.– Na coerência do meu passado, não tenho cometido nenhum ato que desabone minha vida. Não tenho senão que resistir, foi a única alternativa que me deram. Todos aqui somos iguais.
Nenhum senador é maior do que o outro e, por isso, não pode exigir de mim que cumpra a sua vontade política de renunciar. Permaneço pelo Senado para que ele saiba que me fez presidente para cumprir o meu mandato – disse. Sarney afirmou que vem tomando todas as medidas necessárias para promover a reforma administrativa do Senado, com ênfase na "eficiência e transparência", e acrescentou que problemas que vieram se acumulando durante vários anos estão sendo resolvidos.
– Nosso desejo e determinação é que possamos retomar a nossa agenda de casa legislativa, discutindo os grandes problemas políticos, as reformas que aguardam uma ação firme do nosso Parlamento – declarou.Sarney, que ocupa pela terceira vez a Presidência, lembrou que não é o único senador a presidir a Casa por mais de uma vez. Lamentou que "toda a mídia e alguns senadores" não falem mais em crise administrativa e sim vinculem todos os problemas a ele.
– Não dizem o que fiz de errado, por que devo receber punição, o que devo fazer para a reforma do Senado. Os jornais e a mídia em geral, que eu conheça, nunca se concentraram tanto contra uma pessoa como estão fazendo comigo, vasculhando minha vida, desde o meu nascimento e, não encontrando nada, invadem minha privacidade e abrem devassa que se estende até a minha família inteira – assinalou.
Sarney negou a prática de nepotismo ou que tenha favorecido o neto José Adriano, que é sócio de uma empresa de empréstimo consignado que atuou no Senado. Também negou participação em qualquer ato secreto ou irregularidade.
Criticou ainda os métodos usados por seus adversários, que segundo ele o estariam caluniando e fazendo montagens em suas denúncias. De acordo com o presidente da Casa, foi montada uma suposta conversa entre ele e o empreiteiro Zuleido Veras, implicado em 2007 na Operação Navalha, da Polícia Federal.
– É uma campanha pessoal, sem respeitar minha privacidade, sem respeitar 55 anos de serviços prestados a este país e ao Senado. Em nenhum momento da minha vida faltei ou faltarei ao decoro parlamentar – disse, pedindo também a pacificação das relações entre os senadores.
José Sarney
José Sarney

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