sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Renan lê representação do PMDB contra Arthur Virgílio

Documento contra senador tucano não é iniciativa isolada de um senador, mas do PMDB, segundo Wellington Salgado. Em resposta à representação, Virgílio leu uma série de denúncias publicadas contra o líder peemedebista
Renan defende cassação do mandato de Arthur Virgílio alegando quebra de decoro parlamentar


O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), leu ontem em Plenário representação de seu partido contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O documento propõe a cassação do mandato do senador amazonense por quebra de decoro parlamentar
. O argumento é que Arthur Virgílio quebrou o decoro por várias razões, tendo "praticado clientelismo" e provocado prejuízos aos cofres públicos. E que o próprio senador tucano reconheceu seus erros aos colegas, "mas mesmo assim teria mentido em Plenário".
Entre as acusações, está a de ter autorizado servidor comissionado de seu gabinete a se afastar do trabalho para estudar e morar no exterior, sem prejuízo da remuneração paga pelo Senado, incluindo o recebimento de horas extras.A representação é assinada pela presidente nacional do PMDB (em exercício), deputada Íris de Araújo (GO), e utiliza trechos de discurso de Virgílio feito em 29 de junho e de matéria da revista IstoÉ.
O presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), terá dois dias úteis, a partir da publicação da representação no Diário do Senado Federal, para informar se aceita ou não a investigação.
A representação pede o afastamento de Virgílio também pelo fato de o senador ter utilizado recursos do Plano de Saúde Parlamentar acima dos limites previstos no tratamento de pessoa de sua família, bem como pelo recebimento de doação do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia para pagamento de gastos dele e de sua família em Paris, na França.
– O senador Arthur Virgílio abusou de suas prerrogativas constitucionais e praticou séria ilicitude no exercício do mandato, ao favorecer terceiro com verba pública e usurpar atribuições da Mesa diretora, deferindo licenças remuneradas para funcionário comissionado estudar e morar na Europa, segundo o próprio representado – disse Renan.
Renan também criticou os partidos de oposição do Senado, acusando-os de padecerem de "complexo de maioria", devido à pretensão de vencerem todas as disputas travadas na Casa, mesmo sem terem votos suficientes.– A minoria do Senado Federal é a única do mundo com complexo de maioria. Por isso, as coisas aqui, no Senado, chegaram aonde estão – afirmou.
Renan defendeu ainda o presidente Sarney das acusações contidas nas representações oferecidas contra ele ao Conselho de Ética.Tasso JereissatiApós Renan Calheiros concluir a leitura do texto, Tasso Jereissati (PSDB-CE) pediu a retirada do Plenário de pessoa que se manifestava favoravelmente à representação do PMDB.
Renan criticou a atitude do parlamentar cearense, censurando-o por fazer parte da "minoria com complexo de maioria". Iniciou-se, então, troca de acusações entre os senadores, o que levou o presidente do Senado, José Sarney, a suspender a sessão por alguns minutos.

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