Documento contra senador tucano não é iniciativa isolada de um senador, mas do PMDB, segundo Wellington Salgado. Em resposta à representação, Virgílio leu uma série de denúncias publicadas contra o líder peemedebista
Renan defende cassação do mandato de Arthur Virgílio alegando quebra de decoro parlamentarO líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), leu ontem em Plenário representação de seu partido contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O documento propõe a cassação do mandato do senador amazonense por quebra de decoro parlamentar
. O argumento é que Arthur Virgílio quebrou o decoro por várias razões, tendo "praticado clientelismo" e provocado prejuízos aos cofres públicos. E que o próprio senador tucano reconheceu seus erros aos colegas, "mas mesmo assim teria mentido em Plenário".
Entre as acusações, está a de ter autorizado servidor comissionado de seu gabinete a se afastar do trabalho para estudar e morar no exterior, sem prejuízo da remuneração paga pelo Senado, incluindo o recebimento de horas extras.A representação é assinada pela presidente nacional do PMDB (em exercício), deputada Íris de Araújo (GO), e utiliza trechos de discurso de Virgílio feito em 29 de junho e de matéria da revista IstoÉ.
O presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), terá dois dias úteis, a partir da publicação da representação no Diário do Senado Federal, para informar se aceita ou não a investigação.
A representação pede o afastamento de Virgílio também pelo fato de o senador ter utilizado recursos do Plano de Saúde Parlamentar acima dos limites previstos no tratamento de pessoa de sua família, bem como pelo recebimento de doação do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia para pagamento de gastos dele e de sua família em Paris, na França.
– O senador Arthur Virgílio abusou de suas prerrogativas constitucionais e praticou séria ilicitude no exercício do mandato, ao favorecer terceiro com verba pública e usurpar atribuições da Mesa diretora, deferindo licenças remuneradas para funcionário comissionado estudar e morar na Europa, segundo o próprio representado – disse Renan.
Renan também criticou os partidos de oposição do Senado, acusando-os de padecerem de "complexo de maioria", devido à pretensão de vencerem todas as disputas travadas na Casa, mesmo sem terem votos suficientes.– A minoria do Senado Federal é a única do mundo com complexo de maioria. Por isso, as coisas aqui, no Senado, chegaram aonde estão – afirmou.
Renan defendeu ainda o presidente Sarney das acusações contidas nas representações oferecidas contra ele ao Conselho de Ética.Tasso JereissatiApós Renan Calheiros concluir a leitura do texto, Tasso Jereissati (PSDB-CE) pediu a retirada do Plenário de pessoa que se manifestava favoravelmente à representação do PMDB.
Renan criticou a atitude do parlamentar cearense, censurando-o por fazer parte da "minoria com complexo de maioria". Iniciou-se, então, troca de acusações entre os senadores, o que levou o presidente do Senado, José Sarney, a suspender a sessão por alguns minutos.

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