Ex-dirigente da Receita afirma que não se lembra do dia e horário de encontro com a ministra-chefe da Casa Civil, no fim do ano passado, e diz concordar em fazer acareação
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Demostenes (C), pre[sidente da Comissão de Constituição e Justiça, e Wellington Salgado acompanham exposição de Lina
Demostenes (C), pre[sidente da Comissão de Constituição e Justiça, e Wellington Salgado acompanham exposição de LinaA ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira confirmou, em depoimento na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que manteve, no fim do ano passado, um encontro com a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, que teria solicitado a ela que "agilizasse a fiscalização nas empresas" do empresário Fernando Sarney.
Lina classificou de "incabível" o pedido, mas disse que não se sentiu pressionada.No entanto, a ex-dirigente da Receita não apresentou qualquer prova desse encontro. "Não me lembro do dia e do horário do encontro. Recordo-me apenas que a ministra Dilma me chamou ao seu gabinete através de sua secretária, Erenice Guerra", admitiu a ex-secretária.
Disse que o encontro durou dez minutos. Ao fim do depoimento, Lina Vieira fez questão de manter o teor da entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em que revelou ter recebido de Dilma pedido para agilizar investigação fiscal da Receita em empresas do filho do presidente do Senado. Ela descreveu repetidas vezes, em detalhes, o trajeto que fez até encontrar-se com a ministra.Dilma Rousseff nega o encontro e já desafiou Lina a provar o que disse ao jornal, desafio repetido pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na CCJ, os governistas também pressionaram por evidências dos fatos. Para justificar a falta de provas e de registro do encontro em sua agenda, Lina alegou que a audiência, no gabinete da ministra, a pedido de Dilma, teve caráter reservado.
Senadores governistas, entre eles o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), advertiram a ex-secretária de que ela teria infringido normas que regem a conduta dos servidores públicos ao deixar de relatar aos superiores fato que considera anormal – o que caracterizaria ato de prevaricação.Para a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), ao negar no depoimento à CCJ que tenha sido alvo de coação para encerrar o processo fiscal, Lina Vieira teria caído em contradição com o que afirmou na entrevista.
"Ou a senhora mentiu para a Folha ou mentiu aqui", afirmou Ideli.Já o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) manifestou solidariedade à depoente, condenando a forma "agressiva e hostil" com que alguns senadores da base de apoio ao governo estavam tratando a convidada.
Autor do requerimento que resultou na audiência da CCJ, Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) disse acreditar que o encontro ocorreu e que a ministra Dilma agiu de forma "ilegal, antiética e indevida" ao tentar interferir em processos em andamentona Receita Federal.
Fonte: Senado Federal

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