Tribuna do Norte Anna Ruth Dantas - Repórter Embora a governadora Wilma de Faria negue que já tenha escolhido o vice-governador Iberê Ferreira para ser o candidato à sucessão, o PSB, partido que ela preside, já lança a candidatura dele.Para o deputado estadual Gustavo Carvalho não há mais que se falar em pré-candidatura de Iberê. Ele é candidato.
“Está no momento de dar um fim nessa questão de pré-candidatura de Iberê. Ele é o candidato que, além de natural, é ideal”, diz, em tom incisivo, o parlamentar.
Com respaldo de quem foi chefe de gabinete e secretário de infraestrutura, líder do Governo na Assembleia e membro da executiva estadual do PSB, Gustavo Carvalho afirma que os peessebistas hoje estão muito mais fechados em torno da candidatura de Iberê do que em 2002, quando parte do grupo defendia o lançamento de Wilma para o governo e outros queriam que ela continuasse na Prefeitura de Natal.
Veja os principais trechos da entrevista concedida por Gustavo Carvalho à TRIBUNA DO NORTE. EntrevistaGustavo Carvalho - Deputado pelo PSBA base da governadora hoje está dividida com três candidatos a governador?Eu não acho que a base da governadora esteja buscando candidaturas.
A base da governadora deve estar formada pela confiança que se deve ter no Governo e não pela possibilidade de ser votado. Essa não é uma condição para ter uma boa base. No meu entendimento, a base da governadora está bem formada porque são pessoas que estão há bastante tempo demonstrando lealdade, seriedade, sinceridade, confiança.
O vice-governador Iberê Ferreira é o pré-candidato do PSB. Hoje ele teria mais chances por ser vice-governador e estar no partido liderado por Wilma de Faria?Iberê não é só o meu candidato, é o candidato do meu partido.
Está no momento de dar um fim nessa questão de pré-candidatura de Iberê. Ele é o candidato que, além de natural, é ideal. É um candidato com um histórico de eficiência e há hoje dentro do próprio partido um sentimento de unidade muito grande em torno desse desejo, de que o PSB possa ter com naturalidade o sucessor desse Governo, que é um governo de diferenciais.
O senhor consegue visualizar que o PSB, mesmo tendo a governadora do Estado e um candidato à sucessão, possa apoiar outro nome, como o do deputado estadual Robinson Faria ou federal João Maia?O partido tendo como candidato o vice-governador dela (Wilma de Faria) eu não posso pensar que a governadora não apoie esse nome.
Acho que ela sempre viu em Iberê o que todos nós do PSB vemos, o que todos nós conseguimos enxergar: o histórico dele de municipalista, a experiência pela ocupação de várias pastas ao longo da sua história política, os mandatos de deputado estadual e federal que teve, o empenho que teve como vice-governador. Este Governo tem uma história muito bonita no setor primário, no setor da agricultura, transformando agricultor em produtor. Isso tem o dedo de Iberê,
tem o braço e a eficiência do vice-governador. Essa eficiência, o crescimento econômico e desenvolvimento que o Estado está buscando. Esse projeto será apresentado e por ser, exatamente, apresentado pelo vice-governador é muito natural que todos possam ter no nome dele a busca de mais uma vitória.
O senhor disse que é preciso acabar com a “história de pré-candidato”. Então, hoje Iberê Ferreira é candidato a governador pelo PSB?Iberê é candidato, ele já se coloca como candidato, ele já está trabalhando um projeto para governar.
E o que fazer com os deputados Robinson Faria e João Maia? São lideranças políticas da base da governadora, mas que também desejam ser candidato à sucessão no Executivo.
São dois homens inteligentes, políticos reconhecidos pelo Estado do Rio Grande do Norte, mas eu não quero crer que a condição dos dois para estarem no projeto político de base de sustentação do Governo seja única e exclusivamente para ter a condição de ser votado para governador.
Acho que nesse processo todo há uma fila. É natural que amanhã ou depois, Robinson ou o próprio João Maia participem dessa candidatura vitoriosa de Iberê ao Governo.
O PSB vai buscar isso em todos os momentos e tenho certeza como terá esse reconhecimento. São pessoas que estão pleiteando uma candidatura, mas que no fundo, no fundo, sabem que esse Governo foi um diferencial marcante para o Estado e a permanência do PSB no Governo será bom demais ainda para o Rio Grande do Norte.
Nesse cenário que o senhor traça para 2010, então como ficarão esses dois pré-candidatos (Robinson Faria e João Maia)? Sairia de um desses dois nomes a indicação do candidato a vice-governador?Esse encaixe de nomes ocorre de forma muito natural.
Por isso que eu de forma clara e muito lúcida estou aqui defendendo o nome de Iberê. É pelo encaixe natural. Não tenha dúvida que em uma mesa João Maia, Robinson Faria, a governadora Wilma, Iberê, o próprio PMDB, eu não vejo diferenças e nem vejo possibilidade de distância. Vamos encontrar o melhor caminho para projetar esse Estado nos próximos anos.
O vice será Robinson Faria ou João Maia?Se o vice vier de alguma dessas duas tendências ele estará muito bem escolhido e estará muito bem abraçado.
O senhor não teme um racha na base da governadora a partir do momento que o PSB lançar Iberê Ferreira como candidato a governador, já que Robinson Faria e João Maia se colocaram declaradamente como candidatos?Eu não quero crer que esta aliança seja feita com base na condição de ser votado nem por Robinson e nem por João Maia.
Não quero crer que só isso tenha sustentado essa aliança até esse momento. Acho que as diversas entrevistas já dadas tanto por Robinson como por João Maia, com relação ao crescimento deste Estado, seja a base de sustentação dessa aliança.
Não vejo a aliança condicionada apenas à candidatura de A ou B. Se for dessa forma, temos que buscar um passado recente e perguntar por que a governador recebeu o apoio de João Maia e Robinson Faria.
A governadora poderá deixar o Governo antes de abril (prazo máximo para se desincompatibilizar) para ceder um espaço maior de tempo a Iberê Ferreira?A governadora irá até o último dia do seu governo.
Ela faz uma obra administrativa que serve como referência para o nosso Estado. São as mais diversas áreas e dá para sentir a política administrativa que esse Governo realizou e a aceleração para o Estado.
Politicamente evidente que ela busca uma natural viabilidade de uma das candidaturas postas no seu sistema. O que se percebe claramente é a unidade dentro do partido (PSB). É o sentimento dentro do PSB que se formou em torno de um nome que já é candidato.
Esse sentimento de unidade, em torno de Iberê Ferreira, chega à governadora Wilma de Faria?Chega. Ela é a presidente do nosso partido e tem escutado isso todos os dias.Ela comunga disso?Ela comunga.
Ela sabe da importância que é o PSB continuar no projeto que precisa ser dado continuidade. Em pesquisa recente o vice-governador está em quarto lugar na pesquisa. Isso não lhe intimida?Se isso em algum momento chegasse a me intimidar não teria participado tão ativamente e defendido tanto o nome da governadora (Wilma de Faria) em 2002.
Para se receber uma pesquisa hoje e se comemorar o resultado projetando para daqui a um ano e meio é preciso contratar também não só a pesquisa, mas também o cascateiro. A pesquisa serve como bom instrumento de análise. Mas a condição de favorita não é a condição de governante. A condição de governante quem dá é o povo com a eleição.
E o que dizer do vice-governador se mostrar viável, mesmo estando em quarto lugar nas pesquisas? Inclusive porque perspectiva de vitória e bom desempenho em pesquisa fazem parte dos critérios estabelecidos pela governadora Wilma de Faria.
Esses critérios vão se formando com o tempo. O tempo é senhor. A voz do PSB no Estado do Rio Grande do Norte tem sido sempre muito representativa para governadora. E essa é a voz que nós estamos escutando diariamente.
Dos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, das pessoas que mesmo estando fora do nosso partido chegam com avaliações muito favoráveis a postura que tem nosso governador Iberê.
O senhor não teme que possa ocorrer com o vice-governador Iberê o que aconteceu com o deputado federal Rogério Marinho? Ele também era candidato do PSB à Prefeitura de Natal e a governadora Wilma de Faria terminou optando por uma candidatura fora do seu próprio partido.
Você pode até achar que são parecidos, mas não são. Rogério Marinho impôs seu nome como candidato a prefeito pelo PSB.
Tanto é que na hora que ele não viu a sua condição de candidato viabilizada ele se isolou e se distanciou do partido. Com relação ao vice-governador Iberê não é isso que você escuta dele. Ele tem procurado sempre deixar muito claro que o processo de candidatura é um processo de viabilidade.
Essa viabilidade é a própria experiência, o amadurecimento do vice-governador faz com que essa candidatura que hoje existe dentro do PSB seja uma candidatura muito responsável.
Mas essa viabilidade da candidatura de Iberê Ferreira já está comprovada?A maior comprovação que essa viabilidade tem hoje é a que Iberê será governador antes de disputar a eleição para ser governador de novo.
Essa é uma viabilidade natural que não poderia ocorrer com Rogério (Rogério Marinho) porque ele não era prefeito. Acho que esse é o grande tom, a grande sintonia que Iberê vai ter e Rogério Marinho não teve.

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