domingo, 5 de julho de 2009

Criança também tem depressão


Quem pensa que depressão é uma doença que afeta apenas os adultos está redondamente enganado. É cada vez mais comum ela ser diagnosticada também em crianças. As razões, segundo especialistas, podem ser várias. Separação dos pais, morte na família, mudança de escola ou cidade, enfim, algum fator que provoque mudança na vida das crianças. "É mais comum do que a gente imagina. E não se manifesta igual nos adultos. Ela é mascarada por uma agressividade excessiva, por exemplo", destaca a psicóloga infantil Débora Sampaio. Alguns sintomas apresentados pela depressão infantil podem facilmente ser confundidos com "mal criação" ou birra de criança: irritabilidade, intolerância e comportamentos antissociais. Outros se assemelham mais à depressão adulta: perda de interesse por atividades que antes agradavam, mudança significativa de humor, queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração, distúrbios de sono, fobia escolar e regressão (para crianças que não usavam fraldas, voltar a urinar e defecar na roupa ou cama).
Jarbas/DP A depressão é uma doença mental que necessita de um "gatilho" ambiental, muitas vezes despercebido até pelos pais. Foi assim com Pedro (nome fictício), que aos três anos teve sua babá repentinamente trocada. Logo após a mudança, ele voltou a fazer xixi e cocô na cama, passou a dormir e comer muito, ficava facilmente irritado e passou a ser muito agressivo com os coleguinhas da escola. A mãe só percebeu que tinha algo estranho no comportamento do filho quando notou os seis quilos ganhos em apenas três meses e ao ser chamada na escola. Pedro já tinha mordido todos os coleguinhas. "A mãe demorou quatro meses até buscar ajuda. No início, achava que era manha ou frescura, ninguém associou a mudança de comportamento à perda da babá", disse Débora Sampaio. A dor da perda só foi revelada quando Pedro passou por várias sessões com a psicóloga. "Mostrei uns bonecos e uma casinha. Foi quando ele mostrou quem morava e falou da raiva que tinha da babá".A lição que fica desse caso é que, por mais jovens que as crianças sejam, uma boa conversa é sempre a saída. "Os pais não explicaram o motivo da saída da babá, que precisou mudar de cidade depois do casamento. Ele se sentiu abandonado por uma pessoa que convivia desde que nasceu". A psicóloga reforça se deve ter atenção ao comportamento da criança. "As alterações são predominantemente da conduta, pois a criança não conta sobre seu sofrimento adequadamente. Assim, alterações na forma habitual de agir ou perda de desempenho escolar ou social podem ser bons índices". DiálogoUm bom especialista pode ser a chave do sucesso na luta contra a depressão infantil. Antes de tomar qualquer iniciativa, os pais devem conversar com o pediatra da criança. Já que ele a acompanha desde o nascimento. O pediatra pode auxiliar na escolha por um psicólogo ou psiquiatra. Outra dica é acompanhar o desenvolvimento na escola. "A escola e o pediatra são as referências iniciais", reforçou a psicóloga Débora Sampaio. No caso de Pedro,seis meses foram necessários para sair da depressão. Mas esse período varia de criança para criança. "Infelizmente a depressão não é uma doença que pode ser curada. Apesar de ser muito difícil voltar nas crianças, não podemos afirmar que não voltará mais", afirmou Débora. Apesar de ser diagnosticada em crianças (indivíduos de 0 a 12 anos incompletos) de todas as idades a faixa etária que vai dos cinco aos sete anos é a que reúne o maior número de casos de depressão infantil. Por ser a época em que elas passam a criar um vínculo mais forte com as outras pessoas, explica a psicóloga.
FONTE: DIARIO DE NATAL

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