
Brasília (AE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão política de reajustar ainda neste ano o benefício do Bolsa-Família. Ele já orientou a equipe econômica a avaliar o impacto da medida nas contas do governo. Atualmente, 11,3 milhões de famílias estão cadastradas no programa de transferência de renda e recebem de R$ 20 a R$ 182 por mês. O valor médio do benefício é de R$ 85. Com o aumento, esse valor pode chegar a R$ 95, segundo o jornal ‘Folha de S. Paulo’.Auxiliares de Lula dizem que o aumento do benefício do principal programa social do governo faz parte da política de incentivo ao mercado de consumo. O reajuste aumentará o poder de compra da classe mais baixa da população, ressaltam os assessores. “Porque os pobres estão comprando, estimulando o comércio, gerando empregos, o que nós chamamos de o círculo virtuoso do crescimento econômico com sustentabilidade”, disse uma fonte da pasta. “Nesse sentido, há uma consciência de que os programas sociais devem ser mantidos, mais do que mantidos, aperfeiçoados e ampliados”, disse um assessor.O próprio presidente avalia que o reajuste não será criticado pela oposição, pois nas últimas semanas o governo anunciou uma série de medidas de desoneração. Os assessores costumam lembrar que o setor varejista é um dos beneficiados de forma direta com o programa de transferência de renda.O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, já apresentou ao presidente uma série de estudos de reajustes do benefício. Lula poderá ainda dar um reajuste de uma só vez para compensar a inflação acumulada desde julho de 2008 mais a previsão de inflação para o próximo ano. Procurados para comentar o reajuste, auxiliares de Patrus Ananias se limitaram a dizer que a decisão é do presidente.O último reajuste do valor do benefício, de 8%, foi em julho de 2008. O valor médio do benefício passou de R$ 78 para R$ 85. A bolsa de R$ 30 paga aos adolescentes (limitado a dois por família) não sofreu correção. O objetivo agora é tentar garantir um reajuste com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O primeiro reajuste do benefício - de 18,25%, em agosto de 2007 - levou em conta o INPC entre outubro de 2003 e maio de 2007. “Tivemos uma inflação realmente pequena, mas nós estamos monitorando, sobretudo, o custo dos alimentos e o custo também de serviços básicos: medicamentos, material escolar, eletrodomésticos fundamentais para garantir, inclusive, a segurança alimentar, como geladeira, fogão”, disse o assessor.Em conversas recentes, Lula deixou claro para o ministro Patrus Ananias que concederá o reajuste. O Bolsa-Família é um dos carros chefes da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República em 2010. O programa beneficia especialmente o eleitorado tradicional do presidente nos grotões. Na avaliação do governo, a oposição também precisa de votos do eleitorado atendido pelo Bolsa-Família, por isso não criará obstáculos ao reajuste do benefício.Ministro Patrus Ananias quer discutir prioridades com LulaAlém de solicitar a concessão de um reajuste aos benefícios do Bolsa-Família, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) pretende receber do presidente o aval para a ampliação e aperfeiçoamento de outros programas da pasta, como o de aquisição de alimentos (PAA) para a agricultura familiar e de construção de cisternas no semiárido. O ministro Patrus Ananias já solicitou uma audiência com o presidente Lula para conversar sobre as prioridades e diretrizes do MDS na “arrancada final do governo”.Para 2009, o orçamento do MDS previsto é de R$ 11,9 bilhões, contra R$ 10,6 bilhões no ano passado. No final de janeiro deste ano, o presidente Lula autorizou o aumento da faixa de entrada no Bolsa-Família, de R$ 120 para R$ 137. Com a medida, conforme o MDS, até outubro deste ano serão incluídas 1,3 milhão de famílias no programa.
FONTE: TRIBUNA DO NORTE

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