Folha Online, no Rio
A Petrobras informou nesta quarta-feira que problemas mecânicos frustraram a primeira perfuração na camada pré-sal da bacia do Jequitinhonha, no sul da Bahia. Segundo o diretor de exploração e produção da estatal, Guilherme Estrella, foi explorado um poço na região, que não teve os 'resultados esperados' na parte acima da camada de sal.
'Íamos aprofundar a exploração, buscando o pré-sal, mas houve também problemas mecânicos que atrapalharam nossos planos', afirmou, em entrevista coletiva na sede da companhia.
A operação malsucedida não interrompeu, segundo Estrella, os planos da Petrobras para a região. A intenção da petrolífera é partir para um segundo poço, que apresenta perspectivas na camada pré-sal. O diretor ressaltou que o tema ainda está em discussão.
Estrella ponderou que a perfuração no pré-sal da Bahia não é uma 'coisa simples'. Segundo ele, há uma espessa camada de sal na região, e, além disso, o deslocamento de uma unidade de perfuração para a região depende da 'apertada' programação de sondas da estatal.
'Mas as perspectivas para o pós-sal são excelentes', frisou.
O governador da Bahia, Jacques Wagner, chegou a afirmar que a Petrobras havia encontrado indícios de petróleo. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, confirmara apenas a existência de estudos para perfurar o pré-sal no Jequitinhonha.
Sobre a exploração na chamada Margem Equatorial, --entre o Amapá e o Ceará-- o executivo informou que não foram encontrados indícios de petróleo em dois poços na bacia de Barreirinhas, no Maranhão.
Para Estrella, o resultado não muda a estratégia da Petrobras em relação a áreas de novas fronteiras, considerada de grande importância pelo diretor.
'Coletamos dados importantes da geologia da área. A intenção é perfurar com uma nova sonda no ano que vem. Estamos reinterpretando os dados', comentou Estrella, acrescentando que a Petrobras vai avaliar se devolver à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), total ou parcialmente, os blocos que resultaram secos.
Em relação ao teste de formação do prospecto de Iara, na camada pré-sal da bacia de Santos, Estrella alegou não ter maiores detalhes do processo, que está em andamento. Segundo ele, os trabalhos deverão ser concluídos nos próximos dias.
Já o TLD (teste de Longa Duração) de Tupi, também no pré-sal de Santos, continua ocorrendo dentro do planejamento da Petrobras, garantiu o diretor. De acordo com ele, a produção na área varia entre 15 mil e 20 mil barris/dia. O TLD voltou a operar no mês passado, depois de problemas que paralisaram a produção por dois meses.
Estrella disse ainda que a Petrobras poderá ceder duas sondas previstas para áreas de concessão da empresa no pré-sal para que a ANP lidere perfurações em outros poços na mesma região. O trabalho teria como objetivo identificar os 5 bilhões de barris de petróleo e gás que o governo vai ceder à estatal, dentro do processo de capitalização da empresa.
O executivo frisou que caso as sondas sejam realmente deslocadas, a Petrobras vai pleitear junto à autarquia a extensão dos prazos exploratórios nas áreas que serão descobertas.

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