Brasília (AE) - Mais um round das empresas que disputam a venda de seu caças para o Brasil foi encerrado ontem com a apresentação de novas propostas, agora ampliadas, ao Comando da Aeronáutica, pela sueca Saab, pela francesa Dassault e pela norte-americana Boeing.
Todas melhoraram suas ofertas. A Dassault, que havia sido considerada a parceira estratégica preferencial do Brasil pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, viu-se obrigada a reduzir seu preço de hora de voo, considerado muito alto pelo governo brasileiro.
A Saab, depois de ver a concorrente francesa dizer que compraria uma dezena de aviões de transporte de carga KC-390, a ser fabricado pela Embraer, informou que está estudando a possibilidade de adquirir não só este tipo de aeronave, mas também os aviões de treinamento SuperTucano, também brasileiros. A Boeing, por sua vez, ampliou oferta de transferência de tecnologia.
Após receber as propostas ontem, o Comando da Aeronáutica emitiu nota oficial dizendo que recebeu a documentação dos três concorrentes do projeto FX2, mas não fala em prazo de conclusão das análises da Boeing, fabricante do F-18, da Dassault, que fabrica o Rafale, e da Saab, que produz o Gripen NG.
Na nota, a FAB diz que “a partir do recebimento desse material, que se somará ao já existente, a GPF-X2 e sua equipe, composta por mais de 60 especialistas em diversas áreas, procederá à elaboração do relatório final de análise técnica das aeronaves concorrentes, bem como a sua apresentação aos Oficiais Generais integrantes do Alto Comando da Aeronáutica.
Após essa fase, o Comando da Aeronáutica encaminhará o parecer, em data a ser definida, ao Ministério da Defesa”. A nota ressalta ainda que “o relatório de análise técnica permanece pautado na valorização dos aspectos comerciais, técnicos, operacionais, logísticos, industriais, compensação comercial (Offset) e transferência de tecnologia”.
Em entrevista coletiva convocada ontem, em Brasília, o presidente da Saab, Ake Svensson, declarou que, além da possibilidade de comprar aviões da Embraer, na proposta entregue à FAB ampliou o offset, que é a contrapartida, de 150% para 175%.
“Geralmente, a compensação é de 100%, mas estamos indo além disso porque queremos desenvolver parceria de iguais com a indústria brasileira. Oferecemos 175% em cima do valor do contrato.
Svensson acrescentou ainda que o compromisso da Saab é de revolucionar a Força Aérea Brasileira, “oferecendo independência ao invés de dependência”, referindo-se, indiretamente, ao que considera que o Brasil passaria a ser se comprasse dos franceses ou dos norte-americanos. Ele não quis falar em preços, alegando que o sigilo faz parte da proposta, mas reafirmou que o Gripen custa a metade do preço de um avião com duas turbinas.
Já o secretário de Estado sueco, Hakan Jevrell, que também participou da entrevista na embaixada, após a entrega das propostas à FAB, lembrou que na semana que vem os dirigentes do seu país receberão o presidente Lula, sugerindo que é uma boa oportunidade para tratar do negócio e “vender” o seu avião.
O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, por sua vez, disse que Lula não pretende discutir sobre a compra de caças com o governo sueco, na visita que fará terça-feira (6) a Estocolmo. Em entrevista, Baumbach afirmou que o Brasil está disposto a discutir o aumento da cooperação na área de Defesa, mas não pretende falar sobre os caças.
“É claro que é um assunto de interesse da Suécia. Mas o presidente Lula limitará a dizer que iniciará em breve o processo licitatório”, declarou. Lula terá um encontro na terça-feira (6) à tarde com o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, e à noite jantará com o rei Carlos Gustavo.


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