
Em discurso na solenidade de assinatura do pacto em prol de políticas públicas de combate à violência contra as mulheres, na manhã de hoje, a governadora Wilma de Faria (PSB) mandou seu recado para os membros da base governista que formaram a aliança de nominada de Unidade Potiguar – deputados Henrique Eduardo (PMDB), João Maia (PR) e Robinson Faria (PMN).
Como é do seu feitio, a governadora utilizou as entrelinhas do discurso para responder ao acordo entre seus aliados, firmado sem seu conhecimento. “Geralmente, quando não conseguem mandar, tentam emparedar as mulheres. Mas as mulheres guerreiras não aceitam ser emparedadas”, declarou a governadora, após exaltar sua própria trajetória política.
Perguntada pelo CORREIO DA TARDE se as afirmações foram para o grupo que se formou paralelamente à sua liderança, a governadora respondeu, com um sorriso revelador, que a frase se aplica a várias situações. “Vou conversar com os membros do meu partido e de outros partidos aliados para tomar uma posição sobre esse assunto. Amanhã, eu anunciarei minha posição”, afirmou.
Iberê concordaJá o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) – pré-candidato ao governo do Estado – considera a criação da unidade potiguar positiva para a base governista. “Foi uma bela articulação de Henrique para unir a base de Lula (PT) em um só palanque. Considero esse entendimento muito positivo. Eleição se faz com soma e não com divisão”, declarou o vice-governador.
Iberê disse que concorda com os critérios determinados pela unidade potiguar para a escolha do candidato. O vice-governador tanto coloca sua pré-candidatura como está disposto a apoiar outro nome, caso tenha mais chances de vitória. “Quero contar com o apoio de João, Robinson e Henrique”, declarou o vice-governador, com a perspectiva de somar com os aliados.PactoIberê também desmentiu que houvesse pacto firmado entre ele, João Maia e Robinson Faria.
O vice-governador disse que havia um entendimento com os demais pré-candidatos para que cada um procurasse viabilizar sua candidatura, mantendo-se todos na mesma base governista. “Não havia pacto entre nós, o que há é um entendimento para formarmos o palanque de Lula”, declarou.LiderançaQuestionado se a liderança da governadora Wilma de Faria na base ficaria abalada pela formação de um grupo com maior força eleitoral, o vice-governador disse que não ver a unidade potiguar como uma ameaça, mas um fortalecimento da aliança governista.
“Wilma continua conduzindo a sua sucessão na base. Quem disse que esse novo grupo tem mais força?”, perguntou.OposiçãoPara o peessebista, os acontecimentos políticos direcionam cada vez mais um entendimento entre os partidos da base aliada do Governo Lula e o isolamento da oposição. Iberê Ferreira, não considera a hipótese de haver aliança entre os partidos que divergem nacionalmente. “Acho muito difícil uma aliança com Democratas e PSDB. As articulações apontam para outro sentido”, afirmou o vice-governador, tentando apaziguar os ânimos que se exaltaram nas últimas horas.
Agripino quer união do DEM com a Unidade PotiguarAo ser informado, ontem, sobre formação da Unidade Potiguar – composta por PMDB, PR, PMN, PP e PTB – o senador José Agripino Maia (DEM) emitiu nota à imprensa, na qual destaca que tem pretensões de se unir ao grupo, apesar de ter um posicionamento nacional divergente ao dos líderes partidários que firmaram a aliança – deputados Henrique Eduardo (PMDB), João Maia (PR) e Robinson Faria (PMN).
"A união de partidos como o PMDB de Henrique Alves, o PR de João Maia, o PP e o PMN de Robinson e Fabio Faria significa inequivocamente a junção de forças políticas de grande expressão”, avaliou o senador, que considera o novo grupo político com potencial eleitoral diferenciado, no Estado.Agripino pretende disputar reeleição, no próximo ano, aliado a um grupo forte eleitoralmente. Ele já disse que a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) a governadora não é irreversível.
O senador irá articular a melhor aliança possível para conseguir a vitória. Mesmo que, para isso, o partido tenha que desistir de lançar nome próprio ao governo.
Apesar de a unidade potiguar ter enfatizado que o objetivo do grupo será fortalecer o palanque do presidente Lula (PT), que tem como principal objetivo no Estado derrotar o democrata, e unir os partidos aliados nacionalmente em torno do nome da base que se mostrar mais forte para a disputa pelo governo, o senador ainda tem esperanças de repetir a aliança com o PMDB, que elegeu Rosalba2006, e com PR, PMN, PP e PTB, que elegeu a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), em 2008.
“Lembro apenas que esses partidos compõem a base de sustentação no plano federal do presidente Lula e no plano estadual da governadora Wilma de Faria. Respeito o posicionamento que eles anunciaram em relação à sucessão presidencial. Registro as boas relações que tenho com todos os mencionados líderes e reitero o desejo de estarmos juntos em eleições futuras, como já estivemos em eleições do passado", finalizou o parlamentar.
Aliança tem objetivo de impedir imposição do nome de Iberê Apesar de terem negado que o objetivo da aliança é evitar a imposição do nome do vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) como candidato ao governo da base de Lula no Estado em 2010, os três líderes que compõem a unidade potiguar deram mostras de que a ideia da formação do bloco é evitar que as decisões políticas da base sejam tomadas à revelia do grupo.
Durante a entrevista coletiva de ontem, na sede do PMDB, Robinson declarou que a nova formação vai “evitar que sejam lançadas candidaturas forjadas de dentro de gabinetes”, insinuando a possibilidade de imposição de um nome. Henrique disse que o foco do grupo é unir os aliados de Lula no Estado. E João Maia destacou que os três partidos formaram seu plano de governo juntos, para então começarem as articulações.
Até ontem, as definições eram atribuídas à governadora Wilma de Faria (PSB), que deixou de ser a líder dos deputados para ser uma propensa aliada, caso queira se integrar à unidade potiguar. A condução das articulações da base de Lula saiu das mãos da governadora, que disputará uma vaga no Senado, e está nas mãos do grupo, que unido possui a maior força política da base.
Os deputados enfatizaram que buscarão os partidos aliados do presidente para somar com esse novo grupo. Apesar de terem definido que apoiarão a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), para a presidência da república, eles não descartam a composição de um cenário local diferenciado.
Caso a escolha do candidato que representará o governo na disputa estadual de 2010 não conte com o aval dos deputados, eles poderão formar chapa com PSDB e DEM ou ainda lançar candidatura independente.
Com o novo cenário, os partidos que integram a Unidade Potiguar deixam de ser coadjuvantes e passam a ser protagonistas da política norte-rio-grandense. Antes da aliança, governo e oposição disputavam para atrair PR, PMN e PMDB para seus respectivos grupos políticos. Agora, para se fortalecer, PSB, PT, DEM e PSDB buscarão se integrar à nova força política do Estado.
Allan Darlyson