Raul PereiraDeputado federal João Maia é o presidente regional do PRA aliança do século. Assim pode ser definido o acordo político que será anunciado hoje por PR, PMN e PMDB para as eleições de 2010.Os partidos marcaram uma entrevista coletiva para as 13h de hoje, mas até o fechamento desta edição (12h50) ela ainda não havia sido iniciada. Mesmo assim, o CORREIO DA TARDE conseguiu antecipar aquilo que será dito pelos parlamentares.De acordo com uma fonte ligada a um dos partidos envolvidos, a coletiva terá o objetivo de anunciar que as três legendas fecharam questão com relação a 2010 e que vão caminhar em bloco.
O reforço do PMDB à aliança já firmada entre PR e PMN é mais do que uma atitude política, é uma marcação de espaço que pode definir o pleito do ano que vem.Com a união entre as três legendas, fica no mesmo palanque um potencial eleitoral gigantesco. Juntos, PMDB, PR e PMN - e os demais partidos controlados pelo presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria (PMN) - têm mais da metade dos prefeitos do Rio Grande do Norte.
Além disso, há também a estrutura e o potencial político de cada um.Segundo a fonte consultada pelo CORREIO DA TARDE, o que os membros da legenda decidiram é trazer para elas a condução do processo político de 2010, com a certeza de que poderão a partir de agora barganhar os espaços nas chapas majoritária e proporcional. Juntos, os deputados federais Fábio Faria (PMN), João Maia (PR) e Henrique Eduardo Alves (PMDB), tiveram 545.025 votos na eleição do ano passado. Só a votação dos três praticamente dá para eleger um senador em 2010.
E este pode ser o grande peso para o futuro da política do Rio Grande do Norte. A aliança fortalece o nome do senador Garibaldi Filho (PMDB), que sai da condição de "segundo voto mais cortejado" dos atuais grupos políticos, para se tornar sozinho e absoluto o nome número um de mais da metade dos prefeitos e de três grupos políticos que fazem a diferença no Estado.
Trocando em miúdos, com essa jogada de mestre, a pergunta agora é: quem vai estar do lado de Garibaldi?AmpliaçãoA formação da aliança PMDB/PR/PMN prejudica diretamente as duas principais candidaturas ao Governo do Estado colocadas até aqui no processo eleitoral como praticamente irremovíveis. De um lado, o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) fica isolado dentro do seu próprio grupo político.
Do outro, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) vê a luz vermelha acesa porque além do seu interesse de conquistar o Governo tem também o interesse do senador José Agripino (DEM) em se reeleger.A decisão de PMDB, PR e PMN pode ser encarada como a aliança do século porque nunca na história da política do Rio Grande do Norte algo parecido aconteceu.A história política potiguar registra episódios em que as grandes forças se uniram, como em 2006, quando os então adversários ferrenhos Democratas e PMDB foram para o mesmo palanque.
No entanto, nunca antes uma aliança foi feita tendo a coragem de deixar governo e oposição no canto de parede, a margem das decisões.Mantendo-se a aliança intacta, PMDB, PR e PMN podem inviabilizar uma ou as duas candidaturas ao Governo postas até aqui como irreversíveis. De um lado, o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) pode vir a ser preterido em nome do projeto da governadora Wilma de Faria (PSB) de se tornar senadora do Estado.
Do outro, o senador José Agripino pode ter de abrir mão da candidatura de Rosalba também em nome do seu projeto político.ReaçõesO CORREIO DA TARDE tentou ouvir hoje as lideranças políticas estaduais de Democratas e PSB a respeito do assunto, mas elas preferiram esperar pela coletiva para se pronunciar. A governadora Wilma de Faria (PSB), que cumpre agenda ao lado da ministra Dilma Roussef (veja matéria na página 4), disse por meio da sua assessoria que não vai falar sobre o tema neste momento.
O mesmo disse a assessoria da senadora Rosalba Ciarlini.Micarla sinaliza apoio a Dilma, mas nega definiçãoPresente à avaliação dos investimentos do PAC no Estado, feita pela ministra Dilma, ontem, no Centro de Convenções, a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), elogiou bastante a disposição do governo Federal de liberar recursos para o município. "A senhora (Dilma Roussef) é um exemplo de lição, força de vontade e dedicação", discursou a gestora, na abertura do evento.
Após a coletiva da ministra, a prefeita foi questionada sobre a possibilidade de as parcerias administrativas com o Governo do Estado e o Planalto avançarem para uma composição política em 2010. A gestora comemorou a obtenção de recursos federais conseguidos para a cidade, embora tenha frisado que se trata de uma parceria administrativa. A prefeita disse que não há definição de apoio político, mas deixou nas entrelinhas que um entendimento para apoio da candidatura da ministra está próximo.
Depois de todos os elogios à petista, Micarla disse que apoiará, politicamente, quem mais contribuir com o desenvolvimento de Natal. "Estarei em 2010 no palanque de quem estiver ajudando a minha cidade", declarou a prefeita.
Como Dilma Roussef é a representante principal do governo federal, que tem firmado parceria com a administração de Micarla, e o candidato de oposição será o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ou o gestor de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que nunca enviaram recursos para Natal, não é difícil entender o recado da prefeita.
Garibaldi é a favor de apoio do PMDB ao candidato de LulaQuestionado, ontem, durante a apresentação do balanço do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), o senador Garibaldi Filho (PMDB) declarou, em entrevista ao CORREIO DA TARDE, que concorda com o posicionamento adotado pelo presidente estadual do seu partido, deputado federal Henrique Eduardo, sobre o rumo nacional que a legenda deve tomar em 2010.
Garibaldi disse, em consonância com Henrique, que seria incoerência do PMDB apoiar um candidato de oposição ao governo Lula (PT), tendo participado decisivamente para a construção do seu governo. Ele é a favor do apoio ao candidato a presidente que representará o governo petista em 2010.No entanto, o senador ratificou que a posição do presidente estadual da legenda não representa uma definição nacional do partido, que, segundo Garibaldi, ainda não tomou uma decisão oficial.
"Mesmo ainda não tendo definição, comungo do mesmo pensamento do deputado Henrique. Por questão de coerência, o PMDB deve permanecer na base de Lula", declarou o senador. Em relação à visita da ministra ao Rio Grande do Norte, Garibaldi disse que espera uma maior agilidade na execução dos projetos. Perguntado se a chegada de Dilma servirá para acelerar as obras, respondeu: "Se essa visita não acelerar as obras do PAC, não sei o que poderá acelerar".
fonte: Pedro Carlos
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